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poetas-editores

ronald                                                                                                    ronaldo



Escrito por ronald augusto às 15h57
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RABISCO SEM INTENÇÃO ALFABÉTICA

Título ready-made extraído do capítulo CXLII - “O Pedido Secreto”, do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. O “rabisco sem intenção alfabética” se refere a um v enigmático  com o qual Virgília assina (ou rasura) uma carta, cuja autoria deve ser mantida em sigilo absoluto . “Ao ‘grande lascivo’ sutil, Brás Cubas/Machado (...) não escapariam as sugestões, nesse v, de púbis, decote e colo femininos” (Décio Pignatari dixit).

 

 

concha bivalve que seja vale

uma pedra no fio da borda e

se desprende

 

tomba não achando

baque conteúdo

 

alvíssaras de morrimento

retroagindo no entrechoque

(buc!ólicas) de coxas esposas

 

montanhas para a ranhura

litográfica

 

(do livro Confissões Aplicadas, 2004)



Escrito por ronald augusto às 13h45
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fortuna crítica aos desafetos

(http://www.unisi.it/semicerchio/numeri/testisc_35/brasiliana.pdf )

 

SEMICERCHIO  X X X V 2 0 0 6

Confissões Aplicadas. Porto Alegre: AMEOP, 2004,

La produzione poetica di Ronald Augusto si caratterizza per il coraggio e per la sottile e corrosiva sperimentazione del mondo del linguaggio, come indicano queste parole dell’autore: “La poesia è un oggetto strano, una contraddizione che si processa alla radice della funzione meramente comunicativa del linguaggio [...] La realtà che la poesia analizza e allo stesso tempo finge rivelarci appare ai nostri occhi trasformata in immagine indecisa e in conflitto con quella realtà che fino a poco prima redavamo di conoscere come il palmo della mano”.

La poesia di Ronald Augusto, di cui il suo più recente lavoro è prova inequivoca, causa un certo straniamento nel lettore esattamente perchè il poeta opera una provocazione radicale all’interno del linguaggio, facendo uso di un ritmo sincopato e responsabile per un’estetica che non si rassegna di fronte alla parola mimetica o descrittiva della realtà. (...)

(a cura di Prisca Agustoni)



Escrito por ronald augusto às 22h39
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bebemoragem

ressonância, um empréstimo à eça e victor hugo (saindo de um ensaio de antonio candido sobre o recurso da citação): eça, o lusíada, "era a hora calada em que os lobos dos montes vão beber", que toma emprestado a hugo, que diz: "c'était l'heure tranquille où les lions vont boire". ao que eu (visando/projetando poema futuro) tresleio da seguinte maneira: "naquela parada em que os bebuns da quebrada vão beber".

meus amigos ilhéus: aldy, fifo e fábio



Escrito por ronald augusto às 17h50
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o bruxo flagrado em sua mulatice



Escrito por ronald augusto às 00h52
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canção pra boi dormir

  

Uma definição de Dante (sim, o remoto poeta italiano) a propósito da canção (canzone), diz assim: “...é uma composição de palavras postas em música” (o grifo é meu). Com efeito, a letra de música que, para dizer o mínimo, não é bem poesia, requer a sua “fenomenologia da composição”. A simplicidade da definição do poeta florentino me autoriza a dizer outra coisa óbvia: a letra de música nasce para ser cantada e não lida ou declamada, do contrário seria um poema embalsamado nas páginas de um livro. Isto é, as questões de composição próprias a um texto que é “palavra voando” (na feliz formulação de James Joyce), exigem do letrista um comportamento perante a linguagem diferente daquele experimentado pelo poeta.

A canção é uma obra onde se integram de maneira inextrincável informações musicais e verbais. O compósito canção não é, portanto, um subdiretório daquela já consagrada poesia do suporte livro/papel, palavra para ser, mais do que lida, murmurada na solidão. Apesar de a canção conviver muito bem com a arte da poesia, não resta dúvida de que o canto-falado da música goza de uma especificidade em termos de linguagem. Neste sentido, a canção não tem, rigorosamente, nada a ver com um poema; da mesma maneira que, por exemplo, uma obra fílmica guarda muitas diferenças em relação a um espetáculo de teatro, embora se possa observar, quem sabe, uma certa consangüinidade entre ambos.

Na canção verifica-se uma oscilação permanente entre fala e canto. A expressão oral, os sotaques “cantados” (na fala do outro ouvimos com mais facilidade tal música), o pregão do ambulante, etc. são, por assim dizer, formas brutas da canção prístina. Uma sílaba mais longa, aquela pausa inesperada na elocução, uma seqüência de inflexões quase onomatopaicas, enfim, tudo isso está na raiz dessa fala que se transforma em canto. Não se pode “declamar” ou apenas dizer a letra da canção. Fazendo isso negamos a música que, ao fim e ao cabo, impõe os limites ao ajustamento das palavras, de acordo com aquele sentido requerido pela canzone dantesca. É como se tentássemos descrever um balão sem mencionarmos sua pele de látex.

Escrito por ronald augusto às 00h34
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nota liminar e algo sobre a canção versos poesia

(segue o www.poesia-pau.zip.net, aqui estamos no plano B. até segunda ordem)

uma aproximação à idéia de beleza: adequação ao objetivo. esta “adequação” ou funcionalidade comunicativa, para pound, dependeria do maior ou nenhum contato da poesia com a música. fazer, pois, um poema como se fosse para ser cantado solucionaria, a princípio, encrencas como: o uso de palavras demasiadas ou sem crédito funcional, que só obscurecem o significado. a melodia (estrofação e metro) trabalharia então como uma sorte de condão concentrador. controle do acaso. tudo para manter a nitidez, a precisão, a eficiência da linguagem. e, naturalmente, para acabar de uma vez por todas com o discurso nebuloso dos literatos trapaceiros, discurso forjado para ocultar o pensamento. pound fez crítica via música testando experimentalmente as palavras de guido cavalcanti e françois villon em composições musicais.

 

de moy povre je vueil parler: j’en fus batu comme a ru toiles tout nu ja ne le quier celer. double ballade.

 

à parte. sua pele-pala encardida. batida por lavadeiras contra o rio de pedra. acordado, aquele negro no porão do desacorde não quer mais o escondido.



Escrito por ronald augusto às 01h45
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CONTRA O ENUNCIADO

                                                                        

          Fragma menos evoca que revoga, enquanto desenha in absentia, sentidos como: permeio, incisão, inciso, separação, etc., que são, por sua vez, congeniais ao prefixo dia, aqui à primeira vista, apagado, recusado. No entanto, embora Fragma pareça lhe dar as costas, continua afetado por ele. Isto é, o signo lexical dia, atravessa-o feito ressonância indicial. Fragma, então, problematiza-se: assignatura defectiva, traços grafológicos de Cândido Rolim. Pulsão neográfica em que a dobra alusiva se projeta sobre a elisão material: o efeito do rasgo seco desmembrando o vocábulo “dia/fragma”. Sopro de prosa que trava e trova o espírito em espiras ao redor de si mesmo.

          Cândido Rolim embaralha prosa, poesia e filosofia inventando um verdadeiro magma de linguagem que se esgalha em sintagmas, fraseados atordoantes e atordoados por filosofemas reificados, nexos e anexos fono-semânticos: objeto, desejo, ato, noção. Coisas-palavras num árduo percurso onde representação e nomeação não se aferram às medidas do representado e do nomeado.

          A passagem inconclusa do poético (anomalia e radicalidade da linguagem) ao filosófico (significações prováveis desentranhadas à aporia e à aforia). Cândido Rolim quase nos franqueia o seu Fragma como um feixe de iluminações. Quase koans; aforismos analógikoanalíticos? A palavra-montagem ainda não é suficiente. Neste livro de álacre inteligência, não se lê nenhuma sorte de “ventriloquismo sutil” associado à tradição do aforismo, isto sequer é tematizado. Na verdade, Fragma é anátema lançado contra a figura do aforismo que se fecha em arabesco argumentativo, contra o enunciado lapidar ou a anedota sofista oscilando entre irônica e oracular. Cândido Rolim ajusta seu Fragma a contrapelo do dogma e do sentencioso; conforma-o contrafragmento instado a obsedar e corroer o fragmentário enquanto norma da mentalidade contemporânea.

 

 



Escrito por ronald augusto às 22h24
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reentrada honrosa

esta é a segunda edição (ou dentição como dizia oswald de andrade) do meu blog voltado à crítica de poesia. o www.poesia-pau.zip.net, a partir de agora, é um arqvivivo, um museu de quase tudo que escrevi sobre poesia e poetas contemporâneos e que foi parar na internet. está aí para a visitação pública. 

(poema objeto de nicanor parra)



Escrito por ronald augusto às 12h36
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